terça-feira, 4 de setembro de 2007

A mesma mão que bate também faz carinho


Tem muita gente que sente falta da educação do passado. Há 30 anos, a escola – segunda etapa do processo socializador do homem, sendo a família a primeira – no contexto da ditadura militar, absorveu os valores da antiga moral familiar e, em detrimento dos estudantes, legitimou a ação de professores autoritários e arrogantes. Como resultado, a relação entre estudantes e professores estabeleceu-se de forma extremamente desigual.
Naquela época, os professores – tidos como únicos possuidores do saber válido, o que automaticamente rebaixava os estudantes à condição de alunos (palavra derivada do latim que significa ausência de luz) – reprimiam duramente qualquer atitude que se opusesse ao comportamento por eles desejado. A escola, no intuito de moldar os estudantes segundo as premissas de cidadão ideal convenientes ao sistema vigente, ignorava as particularidades de cada um, tolhendo-lhes o direito de questionar qualquer ato que pusesse em xeque a moral do professor e mostrando grande desapreço à criatividade. A regra era não pensar.
Com o passar do tempo – acompanhando o processo de abertura política e modernização da sociedade brasileira – a antiga instituição educacional foi sendo modificada até chegar ao estágio atual. O freqüente problema de indisciplina nas escolas acarreta dúvidas quanta a eficiência da atual política educacional – esta preza pela participação efetiva do aluno no processo de aprendizagem, valorizando e respeitando suas individualidades – acalentando em alguns pais até certo saudosismo.
Seria um retrocesso se na dinâmica sociedade atual, em que a pluralidade de opções proporciona ao individuo a liberdade de construir seu próprio caminho, a escola retomasse o antigo regime educacional. Não obstante, é perceptível na sociedade em geral uma necessidade de fiscalização, de controle. Entretanto, a questão a ser debatida não é a conquista da liberdade – uma vez que esta é o direito de todos – e sim o que se fazer com a mesma. Pais e escola, ao invés de reprimir os jovens devem educá-los de tal forma que estes saibam decidir sozinhos o que melhor lhes convém.






Paulo César di Linharez.

Um comentário:

pc disse...

Que texto bacana, cara!